Em 2025, estava claro que o mercado vivia um ano fora da curva. Preços excepcionais, margens generosas, euforia contida apenas por quem se lembrava de ciclos anteriores. Afirmei repetidamente que em 2026 o preço ficaria abaixo do teto de R$ 8,50 e nisso acertei. O erro foi acreditar que os preços se manteriam acima do custo de produção. Hoje, pelo retrovisor, vemos que era otimismo excessivo.
O que me fez errar? Acreditei que a taxa de juros real, elevada desde 2023, seguraria os investimentos e, consequentemente, o crescimento da oferta. Projetei expansão moderada para o segundo semestre de 2026 e mais intensa apenas a partir de 2027. Não foi o que aconteceu.
Mesmo com a taxa real de juros muito elevada do ponto de vista histórico, não houve freio relevante aos investimentos. Em tese, dinheiro caro deveria inibir expansão, alongar decisões e reduzir a velocidade de crescimento da produção.
A questão é que a suinocultura não respondeu apenas à lógica financeira tradicional.
A casca de banana não veio de fora. Não foi o câmbio, não foi a renda do consumidor, não foram os grãos. Foi uma leitura benevolente do comportamento decisório do próprio setor.
Dois mecanismos explicam o que aconteceu.
O primeiro: na maioria dos casos o produtor brasileiro não precifica custo de oportunidade do capital na decisão de expansão. Quando está ganhando, expande. A Selic real não entra no cálculo de forma consciente e 2025 foi rentável o suficiente para que qualquer sinal de freio fosse ignorado.
O segundo: a inércia biológica do ciclo. Uma vez que a decisão foi tomada e as matrizes cobertas, o processo não para. O suíno não tem botão de pausa. A oferta que pressiona os preços em 2026 foi concebida em 2024 e 2025 e não há como recuar.
Há ainda o agravante que merece registro: ninguém sabe ao certo a magnitude da expansão. O setor não mede de forma sistemática o que decide de forma dispersa. Integrados e independentes expandiram simultaneamente e a ausência de dados consolidados da oferta real é, ela mesma, parte do problema.
Decisões sem informação coletiva produzem exatamente esse resultado: todos racionais individualmente e resultado irracional para o conjunto do setor.
A casca de banana estava no chão antes de 2026 começar. Faltou enxergar que a suinocultura não tem o hábito de olhar onde pisa antes de dar o próximo passo.
Fica a reflexão: se cada produtor soubesse em tempo real o que o conjunto do setor está decidindo, a conta individual mudaria?
Depois de quase 9 anos de análise a partir da plataforma de dados, aprendo continuamente que a resposta não é tão simples.
Há informação hoje em volume e qualidade incomparáveis ao que tínhamos há dez anos. Quem continua decidindo como antigamente é mais por conceitos e comportamento que por acesso ao conhecimento.
Muita informação chegou, mas o modelo de leitura ainda não acompanhou.
