A narrativa volta a cada quatro anos: ano eleitoral tem dinheiro de campanha circulando, dinheiro vira consumo, consumo sustenta preço.
Para testá-la, comparamos a média de preços de agosto a outubro, do início oficial da campanha ao segundo turno, com a do mesmo período do ano anterior, em 14 séries da SEAB-PR: produtor, atacado e varejo de boi, suíno e frango, de 1996 a 2025. Os sete anos de eleição presidencial foram confrontados com os outros 23.
Em 12 das 14 séries, a alta média nos anos eleitorais foi menor que nos demais, e o resultado se repete quando a comparação é feita com o segundo semestre inteiro.
No varejo, onde o dinheiro de campanha apareceria primeiro, nenhuma série subiu mais em ano eleitoral. O frango resfriado no varejo subiu em média 3,3% nos anos eleitorais contra 11,5% nos demais. O acém bovino no varejo subiu 4,4% contra 12,3%. O filé bovino foi a série com menor diferença: 7,9% contra 9,5%. No varejo suíno, pernil com osso subiu 0,9% nos anos eleitorais contra 9,6% nos demais; lombo sem osso, 2,3% contra 7,9%.
No atacado, a carcaça suína caiu 4,8% nos anos eleitorais enquanto nos demais subiu 14,2%. O dianteiro bovino subiu 9,8% nos anos eleitorais contra 11,0% nos demais, diferença pequena, mas no mesmo sentido. O traseiro bovino no atacado foi uma das duas exceções: 9,2% nos anos eleitorais contra 8,9% nos demais, superando os demais anos por margem estreita.
Ao produtor, o suíno vivo registrou queda de 0,6% nos anos eleitorais contra alta de 13,8% nos demais; o frango vivo, alta de 1,3% contra 10,3%; e o boi gordo, a outra exceção, ficou praticamente empatado: 10,6% contra 9,9%.
São apenas sete eleições, e a dispersão entre elas é enorme: o suíno vivo caiu 30,8% em 2006 e subiu 29,1% em 2010. Um fator que ora derruba, ora eleva o preço em quase 30% não é fator, é ruído. Cada um desses anos tem sua própria história de oferta, demanda e disponibilidade interna.
Em 30 anos de dados, o período da campanha presidencial não trouxe alta maior no preço das carnes. Na maioria dos casos, até trouxe alta menor…
A campanha de 2026 terá o seu resultado, e ele será explicado pelo volume de carne disponível e pela demanda.
Preço é resultado, não causa. O calendário eleitoral não é fundamento de mercado.
As tabelas completas, com médias e variações de todas as séries e anos, estão no anexo em PDF.
→ Confira as tabelas completas em PDF
Texto originalmente escrito para o Boletim de Mercado da Três 333 Brasil.