Quem tem medo do janeiro?

Quem tem medo dos preços no mês de janeiro? Todo mundo!

E por quê? Porque nos últimos 10 anos, de 2015 a 2024, tivemos valores médios consistentemente menores do que os registrados em dezembro.

Com as cotações que atingimos em 2024, as chances de queda eram muito maiores!

O medo aumentou e garantimos a condição para derrubada dos preços do mês passado. Escrevemos aqui em setembro que dificilmente os preços de dezembro seriam os mais altos do ano.

Mês passado, destacamos que as expectativas, fruto do medo do janeiro, estavam levando os vendedores de carne suína e de suínos vivos a competirem entre si derrubando as cotações.

A eliminação do “medo” aconteceu quando os preços se estabilizaram em R$ 8,0 por kg. A partir daí a oferta e a procura reais, livres das expectativas negativas seguem sustentando as cotações de janeiro no mesmo nível do dezembro!

Isso não acontecia desde o período entre 2013 e 2014, quando houve uma leve alta de 1,76%. Nos anos seguintes, os preços em janeiro sempre registraram queda, variando de -0,65% (em 2020) a -19,77% (em 2022).

Vamos no passo a passo: em todos os janeiros os pesos caem, em praticamente todos os janeiros os preços também caem, nesse janeiro os pesos caíram, mas estão acima da média histórica, porém os preços não caíram!

Por quê? Porque a demanda interna + externa está acima da oferta real existente. A única alteração nisso foi a corrida para vender mercadoria em novembro.

Este episódio representa uma oportunidade valiosa para compreendermos as dinâmicas do mercado. É essencial observar, refletir e questionar nossas próprias percepções. Muitas vezes, não enxergamos os fundamentos devido apenas os nossos vieses.

Não existem preços errados, preços se formam pelas razões do mercado! Se você reclama dos mesmos, talvez não tenha entendido as regras do jogo. Mas… sempre é tempo!