O grande erro de 2025: quando o teto de R$ 8,50 foi confundido com o piso

O grande erro das pessoas em 2025 é achar que o teto é o piso.
Um engano coletivo, repetido com convicção, que revela mais sobre o comportamento humano do que sobre o mercado em si.
Os fatos estavam todos ali, acessíveis a quem quisesse enxergar: os boletins anteriores, as referências históricas, os indicadores técnicos e os posts em redes digitais.
Mas, em tempos de excesso de opinião e carência de leitura, o mercado virou palco de narrativas que se alimentam umas às outras — até que a realidade, como sempre, chega para nos acordar.

Desde o início do ano, vínhamos discutindo a região dos R$ 8,50 como limite superior — um teto compatível com o equilíbrio entre demanda, custo, liquidez e valores históricos de mais de dez anos.
Ainda assim, boa parte do setor tratou esse valor como ponto de partida.
É o fenômeno clássico do viés de confirmação: buscamos apenas o que confirma o que queremos crer.
E quando o preço não obedece às crenças, a explicação é sempre a mesma — culpa de alguém, de algo, de uma conspiração qualquer. Nunca a nossa própria leitura enviesada.

A suinocultura brasileira continua refém do pensamento mágico.
Trocam-se relatórios por rumores, fundamentos por frases de WhatsApp.
Muitos se sentem confortáveis na bolha das certezas compartilhadas, repetindo clichês que já foram desmentidos inúmeras vezes. É mais fácil crer no eco das vozes conhecidas do que encarar a evidência fria dos dados. Mas o mercado não tem paciência com autoengano — ele cobra, em reais, a cada decisão mal informada.

O preço de R$ 8,50 não é vilão nem herói.
É apenas um retrato fiel do momento: demanda externa muito firme, oferta ainda regulada, procura interna estável e margens de lucro positivas. Nada mais.

Tentar transformá-lo em “novo piso” foi, e continua sendo, um erro de percepção — nascido da euforia e da pouca disposição em observar a realidade com ajuda de fundamentos.

Talvez o maior aprendizado de 2025 seja este: quem confunde teto com piso está olhando o mercado pelo espelho do próprio desejo. E desejo, como sabemos, não paga conta.

Texto originalmente escrito para o Boletim de Mercado da Três 333 Brasil.

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