No ano passado, registramos um surto de doença de Newcastle no Rio Grande do Sul — situação semelhante à que enfrentamos agora com a gripe aviária no mesmo estado.
Em ambos os casos, houve embargo automático imposto pelo próprio Ministério da Agricultura às exportações de carne de frango para mercados internacionais. O bloqueio durou exatamente 18 dias: de 19 de julho a 6 de agosto.
Sabemos que o passado não garante repetição literal dos fatos. Como já se disse, “a história não se repete, mas rima”. Por isso, vale analisar o comportamento dos preços na ocasião, conforme dados diários do CEPEA (Esalq/USP):
• Frango resfriado: queda de -0,82% no ponto mais baixo durante o período.
• Frango congelado: recuo de -1,27%.
• Boi gordo (SP): sem queda.
• Suíno vivo: também estável.
• Carcaça suína (SP): leve baixa de -0,34%.
Ao final do período, em 06/08, os preços das carnes de frango e suínos estavam praticamente iguais aos do início (19/07), e o boi gordo apresentava alta de +0,98%.
Ou seja, do ponto de vista dos preços, o embargo por Newcastle em 2024 foi inócuo.
O Brasil conta com processos bem definidos para lidar com essas ocorrências e possui credibilidade internacional consolidada. Além disso, não há interesse dos importadores em abrir mão de um fornecedor confiável e relevante.
Resta saber se, neste episódio de gripe aviária H5N1, os compradores externos e os consumidores internos terão reações diferentes — ou se, mais uma vez, atravessaremos essa turbulência com tranquilidade.
Texto originalmente escrito para o Boletim de Mercado da Três 333 Brasil.