Dezembro costuma ser tratado como um mês “especial” no mercado de suínos. Consumo maior, liquidez mais intensa, decisões aceleradas. Tudo isso é verdade. O erro está em concluir, a partir daí, que dezembro cria tendências. Não cria. Dezembro apenas expõe o que já estava em curso.
O que muda no último mês do ano não são os fundamentos, mas o ritmo. O consumo se antecipa, o varejo se posiciona, o frigorífico ajusta escala com menos margem para erro e o produtor reage com base em expectativas já formadas. O resultado é um mercado mais sensível, onde qualquer desequilíbrio — real ou percebido — aparece rápido no preço.
Por isso dezembro amplifica movimentos. Se o mercado vinha firme, a firmeza aparece com mais clareza. Se vinha frágil, a fragilidade fica evidente. O mês não inaugura ciclos; ele funciona como uma lente de aumento.
Em 2025 isso ficou explícito também nos números. Ao longo do ano, o preço do suíno em Minas Gerais testou repetidamente a faixa de R$ 8,50/kg. Aconteceu tantas vezes que o “teto de preços” ficou parecendo que era piso. Não foi por acaso. Exportações sustentaram a demanda, a oferta esteve relativamente ajustada e o varejo já havia incorporado reajustes importantes desde o final de 2024.
E aí veio o grande mês de dezembro, esperado por todos para aquele reajuste especial dos preços…e o que aconteceu? Dezembro apenas revelou esse novo equilíbrio: preços bons, mas com resistência clara para avanços adicionais. Não faltou mercado; faltou espaço para reajustes!
Gráfico 1
Preço de mercado em Minas Gerais em 2025.

Fonte: ASEMG – Associação dos Suinocultores de Minas Gerais
Linha azul zona de resistência dos preços (R$ 8,5).
Linha vermelha zona de suporte dos preços (R$ 6,5).
Outro ponto que dezembro escancara é o comportamento. Em meses assim, decisões são tomadas mais pela emoção do calendário do que pela leitura fria do mercado. Retenções excessivas, apostas tardias e expectativas infladas costumam cobrar seu preço logo na sequência. O mercado aceita emoção por pouco tempo; depois, volta a exigir coerência entre oferta, demanda e liquidez.
O aprendizado é simples e recorrente: dezembro é um mês de leitura, não de torcida. Ele serve para confirmar limites, testar convicções e encerrar o ano com clareza sobre onde o mercado realmente está — e não onde gostaríamos que estivesse.
Texto originalmente escrito para o Boletim de Mercado da Três 333 Brasil.