Oferta real ou imaginária? As duas! Sempre… são inseparáveis!
A sequência de eventos no mercado de suínos em 2024 e 2025 tem sido extremamente didática e merece ser analisada.
Devemos fazê-lo constantemente, pois a suinocultura brasileira há décadas lida com a percepção equivocada dos preços de mercado. Ainda acredita-se muito que os preços são incorretos, injustos ou manipulados—adjetivos que não encontram respaldo nos princípios do livre mercado. Deixa-se de observar a oferta, os fundamentos e os comportamentos dos agentes do mercado. Omitir esses fatores serve à retórica das reclamações, sem nada contribuir para um melhor entendimento.
Vamos, então, explorar os eventos!
Em 27/11/2024, o preço do kg do suíno vivo CIF em Minas Gerais era de R$ 10,30. Apenas 16 dias depois, em 12/12/2024, caiu para R$ 8,00—uma redução de impressionantes 22,33%.
Agora, em um movimento inverso, o preço em 29/01/2025 era de R$ 8,00, subindo para R$ 9,50 em 13/02/2025. Isso representa um aumento de 18,75% no mesmo intervalo de 16 dias…mas ainda não chegou ao teto.
Os conspiracionistas verão na diferença de R$ 0,50 no mesmo tempo a “prova” de que o mercado é manipulado pelos frigoríficos. Direito deles. No entanto, ao observarmos a velocidade da queda e da recuperação, reforça-se a hipótese central deste texto: oferta real e imaginária sempre caminham juntas.
A oferta real de suínos no Brasil segue enxuta em relação à demanda total, somando-se o mercado interno e externo. Contudo, mesmo sob essas condições, qualquer incerteza que surja no horizonte pode fazer com que mercadoria “apareça” de onde nem se imagina.
Nunca se esqueça: retenção ativa e oferta ativa são fenômenos exclusivamente comportamentais que alteram completamente a oferta real—determinada pela quantidade e peso dos animais alojados nas granjas.