2025 versus 2024

O ano de 2024 foi marcado por preços instáveis e frágeis até maio, seguidos de uma recuperação vigorosa a partir de junho. Nesse período, o valor do suíno vivo saltou de R$ 6,70 para R$ 9,00, um reajuste de 34,3%, permanecendo nesse patamar por bom tempo antes de avançar até R$ 10,30, o que representou ganho acumulado de 53,0% em 25 semanas de alta contínua, incluindo fases de manutenção sem recuos. Foi um percurso em um ambiente de mercado firme.

Em 2025, o desenho foi completamente diferente. Apenas em duas semanas o preço ficou abaixo de R$ 8,00, mas no restante do ano permaneceu em torno da faixa histórica de resistência próxima de R$ 8,50. Essa referência tem funcionado como limite superior, sendo testada em quatro miniciclos de alta e quatro de baixa. A alternância reforça a leitura de que, ao contrário de 2024, a firmeza cedeu espaço a um mercado mais volátil, que agora volta a entrar em novo ciclo de baixa.

A pergunta inevitável é: por que a diferença?

Do lado externo, as exportações dão firmeza. No acumulado de janeiro a agosto de 2025, os embarques de carne suína in natura superam em 13,0% (96,7 mil toneladas) o mesmo período de 2024. Ou seja, a demanda externa continua favorável.

Nossa hipótese é que a diferença é fruto da correção de preços no atacado e no varejo que o final de 2024 permitiu e que não recuou durante o ano de 2025, como usualmente acontece. O reajuste de dezembro consolidou um novo patamar ao consumidor que não retrocedeu.

Agora vamos conferir o cenário atual em relação a maio/24. Em agosto/25, a média de lombo e pernil no atacado (SEAB-PR) registrou alta de 35,3% e a média desses cortes no varejo avançou 35,0%. Já em agosto/24 sobre maio/24, as altas haviam sido bem menores: 12,8% no atacado e 9,8% no varejo. A carne ao consumidor agora em agosto de 2025 tem um reajuste muito mais intenso que na mesma data do ano anterior, criando mais sensibilidade para ciclos curtos de correção.

Em síntese, o suíno vivo em 2025 repete o bom desempenho externo, mas internamente os preços flutuam na faixa do teto, sem a mesma sustentação linear de 2024.

A volatilidade atual pode ser menos confortável, mas também mais didática: mostra como as forças de oferta, demanda e expectativas se reacomodam constantemente, lembrando que não existe preço “errado” — apenas o preço do mercado.

 

Texto originalmente escrito para o Boletim de Mercado da Três 333 Brasil.

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